Essa semana terminei de ler um livro e gostaria que nunca o tivesse acabado, que fosse um livro eterno, um relato minucioso de cada movimento e ação dos personagens por toda a vida. Os sofrimentos do Jovem Werther é um dos clássicos da literatura estrangeira e um dos livros de maior sucesso de Johann Wolfgang Goethe.
Naqueles parágrafos o autor colocou toda a sua história, sua vivência, suas experiências através de Werther, o narrador de seu próprio calvário. E fez isso com um brilhantismo incomparável. Uma leitura que não cansa. Com uma linguagem culta, mas de simplicidade tocante, ele nos leva até o seu mundo, nos transporta para dentro dos mais alegres e festivos sentimentos até aos mais sombrios e nefastos pensamentos.
Goethe relata sua trajetória, sua relação familiar, seus medos, relações profissionais, impressões do mundo e, principalmente, seu amor platônico. Werther se apaixona e cria um mundo em sua mente, que ele mesmo sabia ser apenas ilusão. Carlota, sua estrela Dalva, está noiva e mantém com Werther uma gostosa amizade. Alberto, noivo de Carlota, está em viagem. É nesse meio tempo que nosso personagem se entrega a um sentimento arrebatador que o faz sorrir e chorar de tanta alegria.
No decorrer do romance Werther admite que Alberto e Carlota foram feitos um para o outro e que ele seria o intrometido nesta relação. Tenta fugir indo trabalhar em outra cidade, mas não se desgarra de Carlota. E página após página a frustração, a dor, a infelicidade vão aumentando e o final acaba por ser demais previsível.
É claro que neste breve relato não poderia de nenhuma forma lhes transmitir a mesma emoção que o livro me trouxe. Confesso que em alguns momentos me senti como Werther, um espelho, uma imagem auto-retratada em letras e páginas. Quem nunca teve um amor platônico? Quem nunca sofreu por amor? E mais, quem nunca se entregou a uma fervente paixão, mas que não era recíproca?
Werther é o resultado de muitos jovens que, frustrados por algum amor mal resolvido, se sentem solitários, infelizes e entregues à depressão. É uma faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo que te leva ao auge da felicidade, também te joga nas profundezas da dor. É algo que não pode ser compreendido, apenas sentido. Infelizmente para muitos a solução é a exclusão, o afastamento ou até mesmo o suicídio, como no caso do jovem personagem.
Werther, talvez por ser tão novo, não expôs o que todos que se encontram nessa situação precisam. Ele não falou sobre o senhor tempo. Ele que é o mestre de todas as horas, nos faz esquecer, perdoar e amar novamente. O tempo comanda toda o roteiro, personagens e a teatralidade da vida. E como dizem: o tempo não para.
Meu caro, Werther! Era apenas uma questão de tempo!

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