segunda-feira, 12 de abril de 2010

O tempo




Por Joyce Pessanha

O tempo passa. Mesmo pensando ser eterno, um dia, você descobre que o tempo, de fato, passa. A adolescência acabou tão rápido. Ainda ontem você brincava e comia o que queria, ia há lugares com hora pra voltar e era tão gostoso. Aí você dormiu e quando o relógio despertou, você já tomou decisões, tem responsabilidades. Agora não dá pra voltar atrás e mesmo tendo vivido algum tempo, descobre que está longe de ser o que você pensou que seria quando se imaginou com a idade que tem hoje. Incompleto, falta alguma coisa.
As escolhas tem mais peso do que nunca, pois uma palavra errada e você pode, para sempre, viver sozinho. Um medo e nunca mais você terá a mesma chance. Uma lágrima de verdade e você pode conseguir o que sempre quis. E mesmo sabendo de todas essas coisas, você simplesmente assiste o dia passar e sabe que nunca mais terá o hoje, a mesma força, a mesma alegria e, ainda assim, você está anestesiado. Com os sonhos você aprendeu que ficar só na vontade já não dói e até vale a pena.



terça-feira, 30 de março de 2010

Armando, Eterno!


Armando nogueira faleceu por volta das 7h desta segunda-feira. Uma lenda que, se antes viva já era exemplo nas cadeiras de toda faculdade de jornalismo, será contada por toda a eternidade, de geração após geração. Um cronista esportivo de alta estirpe, que deixa um grande legado para o jornalismo brasileiro.

Considerado um Machado de Assis travestido de cronista esportivo, Nogueira se notabilizou por colocar dentro da superficialidade midiática a profundidade dramática da literatura. Ele não enxergava apenas o esporte como competição, e sim como um movimento sócio-econômico-cultural.

“Armando escreveu que se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola.  Armando, se escrevesse sobre si mesmo, talvez fizesse analogia afim. Algo como… Armando, se não tivesse nascido homem em Xapuri há 83 anos, teria nascido pena. Pena, sim, não caneta. Pois Armando sempre pareceu pertencer a outra era. Foi um romântico, um otimista, capaz de enxergar como esteta a pelada da esquina.” (Gustavo Poli)

Com certeza até após a morte ele continuará contribuindo para o melhor do jornalismo, pois será fonte para inúmeros outros que venham estudar a profissão. Ninguém é insubstituível, mas lendas foram feitas para durarem eternamente. Armando é uma delas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

LOVE, Whrere is Your Fire?

“Aquele que não trabalha pelo que quer, não merece o que deseja.” Essa frase, de autor desconhecido, parece que com certa arrogância destinar preguiçosos, indolentes e gandaieiros às mais profundas trevas dantescas.

Mas esse não é o ponto em debate. Um exemplo: já criei inúmeros blogs, com os mais diversos temas possíveis de imaginar, até um sobre a vida de Chuck Norris. Mas sempre deixei de lado pelo mesmo motivo: falta de assiduidade na postagem dos textos. No início sempre parece ser legal escrever alguma coisa, colocar suas idéias na mesa, expor seu ponto de vista, dizer pra Deus e o mundo o que você anda fazendo e o que acha da vida. Mas com o tempo, a monotonia dos assuntos, a falta de criatividade e o desânimo fatigante vão batendo e eu, como a maioria das pessoas, deixa a animação inicial para me converter num ex-blogueiro de algumas semanas mal-sucedido. Isso alia-se à falta de comentários e visitas que, quando muito, ficam entre um ou dois por postagem.

E este cenário pode ser facilmente recriado e percebido na vida de todos nós seres humanos de qualquer estirpe. Quantos sonhos durante o nosso tortuoso caminho helenístico são deixados de lado pelas adversidades que a vida nos impõe? Quantos projetos foram postos no papel e não passaram de idéias? Planos que, com muita eloqüência, foram discutidos e não deixaram de ser apenas palavras?

No início, muita empolgação, envolvimento e entrega, depois de um tempo, se não estiver amando aquilo que faz, você provavelmente estará enjoado. E tenho certeza que isso acontece com todo mundo, por que é natural e mais do que compreensível que com o passar das horas as atividades fiquem desgastadas.

Mas o ponto que quero chegar é refletir sobre a seguinte pergunta: onde está a paixão? Onde está o amor? Onde é que ficaram os sentimentos que movem montanhas e enverdecem os caminhos pedregosos? Fugiram? Se esconderam?

O que percebo hoje são pessoas acomodadas, paradas, destinadas a um fim miserável, sem qualquer estímulo de melhora e que não procuram melhorar suas vidas. Não digo aqui sobre ganhar dinheiro, encher os bolsos e mergulhar numa piscina de moedas, como tio patinhas. Falo da alegria em se realizar os afazeres diários, mesmo que dificultosos, do sorriso no rosto ao se encarar o desafio pela manhã e do gargalhar a noite pela satisfação do dever cumprido.

Existem algumas explicações para tal comportamento. O mundo pós-moderno tem tirado da sociedade a alegria do contato físico, do olhar no olhos, do aperto de mão, do abraço, do sentir o outro. Para alguns até o sexo virou algo à distância. Tudo é virtual. E-mail, MSN, Twitter, Orkut, Facebook, Myspace, blogs... A era digital tornou aos mesmo tempo que fácil, muito mais difícil o contato entre as pessoas.

Não que isso nos tire a vontade de empreender nossa vida a caminhos mais florescentes, mas nos mostra como a acomodação tomou conta de nossa espécie. E como nos tornamos cada dia mais adaptados ao mundinho fechado dentro de nós mesmos.

Abaixo segue a letra da música que inspirou essas solitárias palavras



Música: Love Where Is Your Fire (Tradução)
Cantora/Compositora: Brooke Fraser

Amor, onde está o seu fogo?
Estive aqui sentada fumegando
Fazendo sinais com bastões, fins estranhos e porções
Mas não há nem sinal de uma chama
Impostores passaram por aqui, ofereçendo um brilho agradável
Mas estou me apegando ao que você é - um inferno que queima até os ossos
Alguns me incentivam a ser moderada, mas morno não dá certo
Pois eu, eu quero me inflamar com você
Então estou guardando meu coração por você
Guardando meu coração
Então me coloco segurando tochas
Falando palavras que são lâmpada para os pés deles
Até que você venha e eu seja inteira, e nos tornemos um e o fogo em mim seja completo
Alguns me falam pra ser moderada, mas morno não dá certo
Pois eu, eu sei que vou me inflamar com você
Então estou guardando meu coração por você
Guardando meu coração
Então uma dúvida vem mentir lá no fundo da mente
Até que eu me ofereça a você e você educadamente recuse
Então apresso-me a calar-te
Gritarei e afastarei isso pra longe

terça-feira, 23 de março de 2010

No guarda-roupa das manias

Todos nós temos manias. Umas simples outras bem mais exageradas. Certa vez, em uma viagem à Minas Gerais com meus pais, conheci um taxista que contava quantos postes ele percorria durante a jornada, e quando perdia a conta ficava irritadíssimo. Obviamente que, depois de perceber a estranha mania que nos colocava em risco, descemos do táxi no meio do caminho. Um outro dia, fiscalizando uma prova de concurso, reparei em uma candidata esquisita, não pela aparência, mas pelo que ela fazia durante o certame. Ela tinha uma pequena verruga no pescoço e durante as três horas de prova a moça coçava indiscriminadamente aquela protuberância rugosa de sua pele. Era uma mania digamos... dolorosa, pelo menos para mim que assistia aquele auto-flagelo.

Eu não fujo à regra. Também tenho as minhas manias, nenhuma tão estranha quanto essas acima, mas as tenho. E uma dessas esquisitices está me prejudicando. Acabei de descobri-la há pouco tempo quando abri meu guarda-roupa. Notei que na parte onde mantinha todos os meus livros, os que li durante a vida inteira (pode contabilizar mais de 50), só restavam três. Na verdade, aquele compartimento não era aberto fazia um bom tempo, porém a minha memória guardava lembranças de que aquele lugar continha bastantes livros, os que mais gostei na minha curta caminhada colegial e acadêmica. Fiquei estático pensando sobre aquele vazio cabalístico que na minha frente se mostrava empoeirado e solitário.

Naquele instante me veio a lembrança de todos os volumes que emprestei minha mente e o meu “eu” nos longos invernos juvenis pelos quais passei. De Machado de Assis, Lord Byron, Goethe, Álvares de Azevedo e Arthur Conan Doyle à C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien,  Dan Brown, J. K. Rowling  e Stephenie Meyer. Não foram muitos, mas todos me acompanharam em algum momento de alegria ou tristeza. Então percebi a minha terrível mania. Que desde algum tempo vem me acompanhando e me prejudicando. Eu empresto livros! Isso mesmo. Eu compro livros, os leio e depois os empresto. Simples assim. Não bastasse isso, minha memória, que para algumas coisas é excelente, acaba me traindo e esquecendo para quem emprestei tal volume. Tentei recuperar recordações que me fizessem lembrar com que amigos poderiam estar, mas nada. Não consigo lembrar. Apenas um ou dois que me recordo. Mas foi nessa brincadeira que percebi algo que me deixou estatelado.

Não tinha notado até então o porquê de meus amigos nunca me devolverem os livros que com tanto carinho compartilhava com eles. E enquanto remexia nas minhas coisas encontrei dezenas de CDs, DVDs e até fitas cassetes que não eram minhas. Quando olhei para as roupas notei que também haviam blusas e bermudas de meus amigos, a maioria era de quando estudávamos e dormíamos um na casa do outro. Sem contar a infinidade de bonés, pulseiras e jogos de vídeo game. Ou seja, as mesmas pessoas que pegavam meus livros emprestados, eram as mesmas que eu não devolvia seus pertences quando pegava emprestado. Era uma espécie de troca.

Uma estranha mania que eu revelei cultivar. Além de emprestar livros e não me recordar com quem os deixei, eu pegava coisas emprestadas dos outros e não devolvia. Duas manias descobertas com um simples abrir de guarda-roupa. A partir de hoje farei uma lista dos livros que comprar e se, porventura, emprestá-los a alguém anotarei nome, telefone e endereço. E também me policiarei para não pegar emprestado nada de ninguém.

E se você acha que a minha mania é feia, abra o seu guarda-roupa e descubra a sua.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Ensaio sobre a curiosidade



Olhar pelo buraco da fechadura é muito mais emocionante que escancarar a janela. É uma sensação estranha de assistir o que é proibido, de observar quem está do outro lado sem que esse saiba da sua presença. Um esquisito prazer que a maioria dos seres humanos revela cultivar. Alguns, mais conservadores (ou hipócritas), dizem não sentir tal necessidade, que isso é para pessoas que não tem o que fazer, que são desocupados preocupados com a vida alheia. Outros assumem que gostam de saber dos problemas, alegrias e das tristezas do próximo, mesmo que o “irmão” não tenha ciência disso. É um dos tracejos do perfil humano. Genético ou não a ciência ainda não consegue explicar.


Em 1949, Eric Arthur Blair, mais conhecido por seu pseudônimo George Orwell, escreveu um dos mais brilhantes e célebres livros sobre a curiosidade humana. No romance 1984, o autor descreve uma sociedade totalmente coletivista e o seu governo oligárquico. Demonstra ainda como esse sistema político utilizava as mais diversas formas de coerção e repressão contra pessoas que iam de encontro a suas ideias. No livro a história é narrada por Winston Smith, que é funcionário do governo recebendo incumbências de fazer uma excelente propaganda daquele regime. Passado algum tempo ele se revolta, e assim começa uma rebelião contra o sistema que ajudou a erguer, o que resulta em sua prisão e tortura. Interessante neste livro é que o governante da estranha sociedade onde Smith está inserido se chama Big Brother. Ele controla tudo e todos com câmeras espalhadas pela cidade, fazendo assim da comunidade uma prisão onde o chefe maior exerce uma fiscalização sobre os indivíduos.


Em 1999 foi lançado o programa televisivo que iria arrebanhar, anos mais tarde, bilhões de fãs em todo o mundo. O Big Brother, um reality show que se baseia no confinamento de alguns indivíduos dentro de uma casa por três meses sendo vigiados por dezenas de câmeras, explodiu na Holanda e se espalhou rapidamente pelo mundo, chegando a países como Portugal, Estados Unidos, Argentina, França e Rússia. No Brasil o programa teve sua estréia em 2002, e a Rede Globo de televisão é quem comercializa suas edições.


Coincidência ou não o programa de televisão tem muito a ver com o livro de Orwell, que dentro de suas perspectivas tinha o mesmo objetivo: bisbilhotar a vida alheia. O Big brother como programa de entretenimento não tem cunho político, mas o impacto que ele traz dentro das relações sociais é gigantesco. Vemos em cada edição as diversas facetas da sociedade em que estamos inseridos. E como cada personagem representa um perfil social e econômico, é possível verificar a identificação de todo um país dentro da estrutura Big Brother. 


O sucesso do programa advém exatamente desta identificação. Percebe-se que o telespectador ao visualizar os personagens do “drama” se vê diante a um espelho, uma imagem que retrata seus sonhos, frustrações, medos e paixões. E como se trata de uma realidade, o indivíduo não se sente sozinho, ele se apega ao personagem e transfere o seu “eu” para dentro da televisão.

Criador do reality show, John De Mol, ex-sócio da Endemol, empresa que veicula e tem os direitos autorais do Big Brother, disse em entrevista à revista Época que seria interessante observar como as pessoas se relacionariam e formariam um grupo dentro do confinamento. Esperava-se que depois de alguns dias a personalidade real das pessoas começasse a aparecer. E foi exatamente o que aconteceu. Isso significou uma atração televisiva extremamente interessante, pois se podia ver o conflito entre o interesse do grupo e o interesse pessoal de cada participante. E a consequência é a profunda identificação do telespectador com o programa.  Segundo palavras do próprio Mol “Big brother chega muito perto das pessoas. Como espectador, você está constantemente pensando: ”Qual seria minha atitude diante de uma situação como essa?” Na realidade, você está olhando para si próprio.”


Quem nunca viu o programa? Quem nunca se identificou? Quem nunca votou num participante para que ele saia? Não adianta, mesmo lutando contra os princípios da intelectualidade todos, sem exceção, viram ou verão o famoso BBB. Está no sangue, na genética, entranhado nas características humanas o espírito da curiosidade, para não dizer outra coisa.


Infelizmente. 

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sem saco, sem paciência, sem crédito: Oscar 2010!

Tudo bem! Depois de mais de uma semana após a entrega do Oscar 2010 eu resolvi me manifestar. Não iria emitir nenhuma opinião, nem mesmo fazer qualquer comentário sobre a trágica noite de domingo. Mas algo me deixa inquieto só de lembrar da festa que loucura nos presenteou em Los angeles. Não posso deixar passar desapercebido tamanho horror transmitido ao mundo inteiro nesta fatídica entrega do oscar. Este post não tem a intenção de ser exagerado, apenas fazer justiça ao que já há muito tempo vem sendo cometido em Hollywood.

A academia de artes e ciências cinematográficas americana resolveu premiar este ano um filme que, no meu entender, não merecia nem dois dos seus seis oscars. Guerra ao Terror, dirigido por Kathryn Bigelow, levou nas categorias: melhor filme, diretor, roteiro original, montagem, edição de som e mixagem de som. Em 5 categorias o filme da linda e enxuta cineasta, disputava com Avatar, dirigido por James Cameron, o título de filme da noite. 

Avatar é a produção mais cara da história do cinema, em sentido técnico, com orçamento estimado em US$ 500 milhões. Foram 237 milhões de dólares apenas para a execução do filme sendo a 4ª produção mais cara da história do cinema. Os outros 263 milhões de dólares foram gastos nas novas tecnologias e marketing. Mas não foram somente as extratosféricas cifras que levaram esta grande produção a ser considerada um marco na história do cinema. A excelente direção, produção, escolhas dos atores e tudo que envolveu o enredo do filme levaram Avatar a ganhar o status de bicho papão na noite do oscar, o que na verdade seria mais do que justo.

Guerra ao terror teve um baixíssimo orçamento, contando, claro, com uma boa direção, um bom elenco e um excelente enredo. Porém a complexidade de Pandora, lugar onde a história de avatar se desenrola, é muito maior que o acachapado terreno iraquiano. Todo o desenvolvimento de Avatar, suas ligações externas, envolvimentos com a vida real e a ficção foram deixados de lado pela academia, que premiou Guerra ao terror como melhor filme da noite.

Minha crítica se dirige claramente ao extraordinário colegiados de juízes que são pagos para julgarem questões técnicas fílmicas e para votarem nos melhores em cada quesito. Faz tempo que a academia utiliza uma estratégia ridícula de premiar filmes que se encaixam em determinados momentos políticos, sociais e econômicos, em virtude de produções que privilegiam a sensibilidade técnica. Podem dizer que a história de avatar é clichê, mas e guerra ao terror? Essa história de soldados que querem voltar para casa e não conseguem já está mais do que batida. 

Visto que os EUA precisam de um fortalecimento do sentimento patriótico com relação à guerra, e Barack Obama demonstrando estar contra o genocídio provocado por seu antecessor, a academia simplesmente abdicou de fazer aquilo que deveria ser o seu papel fundamental: julgar todos os filmes com neutralidade, olhando apenas questões cinematográficas.

Perdeu-se a credibilidade. O Oscar é uma farsa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Era uma questão de tempo, Werther!



Essa semana terminei de ler um livro e gostaria que nunca o tivesse acabado, que fosse um livro eterno, um relato minucioso de cada movimento e ação dos personagens por toda a vida. Os sofrimentos do Jovem Werther é um dos clássicos da literatura estrangeira e um dos livros de maior sucesso de Johann Wolfgang Goethe. 

Naqueles parágrafos o autor colocou toda a sua história, sua vivência, suas experiências através de Werther, o narrador de seu próprio calvário. E fez isso com um brilhantismo incomparável. Uma leitura que não cansa. Com uma linguagem culta, mas de simplicidade tocante, ele nos leva até o seu mundo, nos transporta para dentro dos mais alegres e festivos sentimentos até aos mais sombrios e nefastos pensamentos.


Goethe relata sua trajetória, sua relação familiar, seus medos, relações profissionais, impressões do mundo e, principalmente, seu amor platônico. Werther se apaixona e cria um mundo em sua mente, que ele mesmo sabia ser apenas ilusão. Carlota, sua estrela Dalva, está noiva e mantém com Werther uma gostosa amizade. Alberto, noivo de Carlota, está em viagem. É nesse meio tempo que nosso personagem se entrega a um sentimento arrebatador que o faz sorrir e chorar de tanta alegria.


No decorrer do romance Werther admite que Alberto e Carlota foram feitos um para o outro e que ele seria o intrometido nesta relação. Tenta fugir indo trabalhar em outra cidade, mas não se desgarra de Carlota. E página após página a frustração, a dor, a infelicidade vão aumentando e o final acaba por ser demais previsível. 


É claro que neste breve relato não poderia de nenhuma forma lhes transmitir a mesma emoção que o livro me trouxe. Confesso que em alguns momentos me senti como Werther, um espelho, uma imagem auto-retratada em letras e páginas. Quem nunca teve um amor platônico? Quem nunca sofreu por amor? E mais, quem nunca se entregou a uma fervente paixão, mas que não era recíproca?


Werther é o resultado de muitos jovens que, frustrados por algum amor mal resolvido, se sentem solitários, infelizes e entregues à depressão. É uma faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo que te leva ao auge da felicidade, também te joga nas profundezas da dor. É algo que não pode ser compreendido, apenas sentido. Infelizmente para muitos a solução é a exclusão, o afastamento ou até mesmo o suicídio, como no caso do jovem personagem. 


Werther, talvez por ser tão novo, não expôs o que todos que se encontram nessa situação precisam. Ele não falou sobre o senhor tempo. Ele que é o mestre de todas as horas, nos faz esquecer, perdoar e amar novamente. O tempo comanda toda o roteiro, personagens e a teatralidade da vida. E como dizem: o tempo não para. 


Meu caro, Werther! Era apenas uma questão de tempo!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Parabéns, Adão!

Adão foi a primeira vítima. Depois vieram outros como Sansão, Davi, Salomão e por aí vai. Dizem que até o diabo já foi enganado por ela. Ela mesmo: mulher. Hoje, dia internacional da mulher, é dia de prestigiarmos esse ser que até agora tem se mostrado tão essencial na vida de toda humanidade. O que seria de nós, pobres homens, se não fossem as benditas e abençoadas mulheres?
Mas também é dia para uma reflexão sobre o papel desempenhado na família pela mulher no decorrer do tempo. Em conversa com uma amiga, ouvi uma afirmação que me deixou chocado: mulheres modernas não pensam em filho antes dos 30. No momento da conversa levei na brincadeira e não dei tanta importância, porém depois de algum tempo pensei na tal frase e percebi o quanto a mentalidade feminina tem mudado. As mulheres que antes pensavam em casar, ter filhos e cuidar da casa e do marido aos 20, mudaram completamente a visão de família e hoje tomam conta do mercado de trabalho alcançando os mais altos cargos das grandes empresas. Tudo tem seu lado bom e ruim. O homem por natureza e história é o ser que provém o sustento e sai para a caça. A mulher é cuidadora e retém o dever de educar os filhos. Na pós-modernidade isso mudou e transformou o que entendemos como família.

Pense e reflita: a mulher moderna tem sido mais benéfica à família do que anteriormente?



* Este blog concorda com a plena liberdade feminina e apóia qualquer incentivo à conquista de espaço no mercado de trabalho pelas mulheres. A pergunta é apenas para gerar uma reflexão pessoal sobre a mulher no século XXI.

sábado, 6 de março de 2010

Poemas soltos - parte de uma história vivida

Eu poderia viver grandes amores,
ou sofrer por amores não vividos;
Eu poderia sentir as mais profundas dores;
mas seria apenas um romântico antigo.

Eu espero aquela que irá me fazer dar pulos de alegria;
loucuras de amor e gritos de euforia.
Uma que me entenda, me ame e me aqueça,
e que no seu colo bem de noitinha eu adormeça.

Hoje encontro refúgio em palavras;
no mar de escuridão como uma alma penada;
A noite fria de que hoje me escondo,
é inspiração para poemas, histórias e contos.

Em tudo que penso, passarinho, passa amor;
em tudo que sinto, uma angustiante dor;
Oh céus! O que há aqui dentro?
Tremendo, mexendo, vivendo.

Não é medo, incerteza ou insegurança,
é o esperar de alguém que possui esperança;
a vida passa aos olhos de quem vê,
a vida é vivida pelo coração de quem ama.


Diego Nogueira - Poemas soltos

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Jardineiro e a Flor - Capítulo 1











Na pequena e fria cidade de Walheim existiam apenas duas coisas que poderiam se notar à léguas de distancia. Uma delas era o clima tenebroso que pairava sobre os rostos de seus moradores. Todos pareciam viver em um eterno mau humor, cheios de amargura. As fisionomias sempre fechadas impediam qualquer visitante de se aproximar e fazer contato. As meninas emburradas para cima e para baixo, sempre irritadas com alguma coisa. Os meninos com a testa franzina demonstrando insatisfação com a vida. Difícil mesmo era encontrar alguém que desse um sorriso apenas. E não era coisa de adolescente, pelo contrário, todos, sem exceção, respiravam descontentamento, seja com o vizinho, com a prefeitura, com a escola, com o trabalho, ou consigo mesmo. Nunca estavam satisfeitos. Era uma cidade de perfeccionistas que não admitiam nenhum erro se quer. Turistas? Nem pensar. Assim que algum desses, na maioria jovens em busca de aventura nas montanhas geladas do Vale Robusto, se aproximavam, os moradores exalavam aquele péssimo clima, o que repelia qualquer um que tentasse ingressar na linda Walheim.

Apesar dos moradores demonstrarem nenhuma simpatia, a natureza fazia questão de dizer exatamente o contrário. Pequena em tamanho, mas grande em beleza. Cobertas por palmeiras imperiais, as ruas em paralelepípedos clássicos ganhavam um charme a mais quando por elas passavam as amargas donzelas em suas charretes. As casas em estilo colonial, com jardins bem cuidados e floridos preservavam o tom antigo que a cidade gostava de transparecer. Era uma cidade diferente de todas as outras. Onde por fora era linda, com uma paisagem exuberante, mas por dentro estava repleta de brigas, intriga, confrontos entre moradores, disputas por posição social e tudo mais que pudesse destruir os relacionamentos.

A outra coisa que chamava a atenção em Walheim, era um lugar que nem seu nome os moradores gostavam de pronunciar. Todos tinham medo até de passar perto daquele local. Era um pequeno bosque, o bosque das sombras, bem ao final da cidade. Altos muros o cercavam, e nada de belo em sua entrada, pelo contrário, o bosque destoava de toda a cidade. Com uma aparência lúgubre, transmitia sensação desagradável a quem passasse. Os moradores daquela cidade não falavam sobre o bosque das sombras. Era como se não existisse, ou como se a maioria fingisse não existir. Pelas histórias que os antigos contavam, dentro deste local havia algo horripilante, medonho, sinistro. E tudo que tinha de lindo em Walheim, parecia se transformar dentro do bosque. Quem entrasse ali iria se deparar com uma imagem tenebrosa. As ruas eram de barro vermelho, molhado pelas chuvas constantes, o que transformava tudo em lama. As arvores plantadas eram sem folhas, somente galhos. As poucas flores que tinham no local eram negras, estranhamente negras, desabrochadas com um odor fétido. Animais esquisitos povoavam o bosque, cachorros, gatos, e até leopardos haviam ali, mas era um espécie maléfica de bichos. Em seus olhos havia maldade, espanto, pavor. Insetos bem maiores que o normal sobrevoam os lagos tétricos. E o céu parecia mudar sua tonalidade. O azul tornava-se vermelho como fogo, como se fosse uma outra dimensão.

Havia uma cabana dentro do bosque. Em meio a este cenário pavoroso, uma pequena choupana resistia firmemente aos ventos, às tempestades e ao calor intenso que o bosque passava. Mas se existia uma cabana era sinal de que alguém morava neste local. Mas como? Um lugar tenebroso, com um odor desagradável, local onde todos os moradores da linda Walheim procuravam passar a distância, poderia abrigar alguém ali dentro?

Por que os moradores de Walheim são tão mau-humorados? Por que numa cidade linda não existe alegria? Por que todos evitam falar do bosque das sombras? Como uma cidade tão bela pode abrigar um local tenebroso como o bosque? Quem poderia habitar naquele local horripilante?

To be continue...