segunda-feira, 15 de março de 2010

Sem saco, sem paciência, sem crédito: Oscar 2010!

Tudo bem! Depois de mais de uma semana após a entrega do Oscar 2010 eu resolvi me manifestar. Não iria emitir nenhuma opinião, nem mesmo fazer qualquer comentário sobre a trágica noite de domingo. Mas algo me deixa inquieto só de lembrar da festa que loucura nos presenteou em Los angeles. Não posso deixar passar desapercebido tamanho horror transmitido ao mundo inteiro nesta fatídica entrega do oscar. Este post não tem a intenção de ser exagerado, apenas fazer justiça ao que já há muito tempo vem sendo cometido em Hollywood.

A academia de artes e ciências cinematográficas americana resolveu premiar este ano um filme que, no meu entender, não merecia nem dois dos seus seis oscars. Guerra ao Terror, dirigido por Kathryn Bigelow, levou nas categorias: melhor filme, diretor, roteiro original, montagem, edição de som e mixagem de som. Em 5 categorias o filme da linda e enxuta cineasta, disputava com Avatar, dirigido por James Cameron, o título de filme da noite. 

Avatar é a produção mais cara da história do cinema, em sentido técnico, com orçamento estimado em US$ 500 milhões. Foram 237 milhões de dólares apenas para a execução do filme sendo a 4ª produção mais cara da história do cinema. Os outros 263 milhões de dólares foram gastos nas novas tecnologias e marketing. Mas não foram somente as extratosféricas cifras que levaram esta grande produção a ser considerada um marco na história do cinema. A excelente direção, produção, escolhas dos atores e tudo que envolveu o enredo do filme levaram Avatar a ganhar o status de bicho papão na noite do oscar, o que na verdade seria mais do que justo.

Guerra ao terror teve um baixíssimo orçamento, contando, claro, com uma boa direção, um bom elenco e um excelente enredo. Porém a complexidade de Pandora, lugar onde a história de avatar se desenrola, é muito maior que o acachapado terreno iraquiano. Todo o desenvolvimento de Avatar, suas ligações externas, envolvimentos com a vida real e a ficção foram deixados de lado pela academia, que premiou Guerra ao terror como melhor filme da noite.

Minha crítica se dirige claramente ao extraordinário colegiados de juízes que são pagos para julgarem questões técnicas fílmicas e para votarem nos melhores em cada quesito. Faz tempo que a academia utiliza uma estratégia ridícula de premiar filmes que se encaixam em determinados momentos políticos, sociais e econômicos, em virtude de produções que privilegiam a sensibilidade técnica. Podem dizer que a história de avatar é clichê, mas e guerra ao terror? Essa história de soldados que querem voltar para casa e não conseguem já está mais do que batida. 

Visto que os EUA precisam de um fortalecimento do sentimento patriótico com relação à guerra, e Barack Obama demonstrando estar contra o genocídio provocado por seu antecessor, a academia simplesmente abdicou de fazer aquilo que deveria ser o seu papel fundamental: julgar todos os filmes com neutralidade, olhando apenas questões cinematográficas.

Perdeu-se a credibilidade. O Oscar é uma farsa.

5 comentários:

Hudson de Castro disse...

Não vou me proolongar no comentário, tendo em vista que já discutimos sobre o assunto pessoalmente. Mas é fato que seus argumentos são fracos, infundados e, no mínimo sem base, já que você não assistiu o filme vencedor. Só pra resumir, um grande investimento não significa um ótimo filme. Já tivemos ótimos filmes, com orçamento extremamente baixo. Avatar é um bom entretenimento, mas é um roteiro totalmente clichê. Como premiar como melhor filme um roteiro já extremamente utilizados em filmes, novelas, desenhos, livros, se bobear até em músicas?!?!?!

Diego Nogueira disse...

Já disse e vou repetir. Talvez não tenha sido tão claro. Julgue o conjunto, não apenas o roteiro. Se fosse para julgar somente o roteiro para definirmos o melhor filme, não teríamos essa categoria separadamente. E quanto aos meus argumentos acredito estar bem embasado visto que o roteiro de Guerra ao terror é altamente patriótico, político e repetido. Veja Falcão negro em perigo, O resgate do soldado Ryan e outros. Apenas colocaram como pano de fundo a guerra AMERICANA no Iraque.
Abs...

Hudson de Castro disse...

Sinceramente também não gosto dos filmes recentes sobre guerras. Mas a questão principal é que você não viu o filme para ter base. Falar que todos os filmes de guerra são ruins é generalizar. Ainda não vi Guerra ao terror, quando ver, poderei dizer se tem razão ou não. Avatar eu vi, não merece oscar, globo de ouro, talvez um Kikito de ouro...rsrsrs...
Abs

Diego Nogueira disse...

Gosto é igual a bunda. Cada um tem o seu... rsrs...

Anônimo disse...

Cara, tenho uma visão muito parecida. Ficou claro que "Guerra ao Terror" satisfazia plenamente aos interesses políticos e ideológicos das mentes conservadoras que o premiaram. Ao contrário de um filme que coloca em julgamento a política americana com seu exército antagônico e ideais furados e "patrióticos" (leia-se egocêntricos).